Só dez por cento é mentira

Hoje vou escrever para vocês de um jeito diferente, de um tipo de mídia que eu nunca tinha falado por aqui. Hoje venho falar para vocês de um documentário, pior ainda é um documentário sobre poesia! Deixando as churumelas de lado, vamos ao texto.

O documentário começa apresentando o poeta Manoel de Barros, auto proclamado vagabundo profissional. Manoel é uma figura bem humorada e de coração simples, ele defende que a beleza da sua poesia vem da simplicidade das suas palavras. Inclusive o nome deste documentário é um trecho de sua fala “Só dez por cento do que eu falo é mentira o resto é invenção”.

Com versos simples e palavras inventadas, Manoel cria versos que só fazem sentido quando olhados em conjunto com a sua obra. Parece não haver nenhuma preocupação de que os seus versos tenham coesão gramatical, mas é bem nítido que as palavras são escolhidas a dedo para exprimir a mensagem que deve ser passada. E quando essas palavras não são encontradas no dicionário da língua portuguesa, ele sempre pode recorrer ao dicionário de “Manoeles”.

Não pretendo me aprofundar em discussões de classe ou qualquer outro aspecto que seja pouco pertinente para a sua obra ou o próprio documentário. Mas um fato que o nosso querido poeta deixa claro é que ele comprou o próprio ócio, e isso foi imprescindível para que ele pudesse se dedicar inteiramente à poesia. Poesia essa que o próprio Manoel diz que lhe toma todo o tempo disponível, ou seja ele se tornou poeta em tempo integral.

Quando são apresentadas pessoas que tiveram contato pessoal com o poeta, são pessoas simples que o documentarista mostra o que há de mais inventivo delas e ao que me parece ficar no ar a questão, essas são as pessoas que realmente entendem e vivem a poesia de Manoel. Um caseiro que escorrega nas normas gramaticais, um consertador de eletrodomésticos que inventa traquitanas sem nexo, um escultor que fica sujando as coisas por ai e um guia turístico que apresenta locações que não existem.

No fim o que fica mais gravado em minha memória é o fato de que o tempo todo o documentário chama atenção para coisas que normalmente não prestamos atenção e com isso tenta fazer com que essas coisas ganhem destaque e se tornem importante, algo que o próprio Manoel faz em sua poesia.

Esse pequeno texto pouco apresenta a riqueza do documentário, que pouco apresenta a riqueza da vida e obra deste célebre poeta, mas saibam que foi de coração.

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